Espera e espreita

Na ESPERA aguardamos por algo conhecido e desejado. Há incerteza, mas em pequeno grau, mas a decepção é grande se nada acontece.
 
Na ESPREITA aguardamos por algo que não sabemos; é o que pode vir a ser. Estamos de prontidão para o desconhecido. A decepção é menor, caso não se concretize; mas o potencial para provocar a maior das surpresas é enorme, pois trata-se de campo aberto ao diferente e inesperado.
 
Um é coletor, o outro é caçador.
Eu gosto é de caça!
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A Imperfeição dos Nossos Sentidos

:: Fernando Pessoa , em Ricardo Reis, prosa ::

Se os nossos sentidos fossem perfeitos, não precisávamos de inteligência; nem as ideias abstratas de nada nos serviriam. A imperfeição dos nossos sentidos faz com que não concordemos em absoluto sobre um objeto ou um fato do exterior. Nas ideias abstratas concordamos em absoluto. Dois homens não vêem uma mesa da mesma maneira; mas ambos entendem a palavra «mesa» da mesma maneira. Só querendo visualizar uma coisa é que divergirão; isso, porém, não é a ideia abstrata da mesa.

“A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem a escuta.” Michel de Montaigne, jurista, político e escritor francês

“When I discover who I am, I’ll be free.” — Ralph Ellison

“Everything that irritates us about others can lead us to an understanding of ourselves.” — C.G. Jung

“Until you make the unconscious conscious, it will direct your life and you will call it fate.” — C.G. Jung

Tolerância e compaixão

“Tolerância zero é não deixar de ver. Compaixão é não permitir o êxito das ações negativas. Se pudermos evitar que uma pessoa tenha êxito em uma ação negativa, melhor. Melhor por quê? Não é que estejamos contra a pessoa ou que também tenhamos agora uma fixação à negatividade; não é isso, nós não estamos jogando um jogo. Se a pessoa tem êxito em ações negativas e as segue executando, ela fica fixada nessas ações e é difícil de tirar a pessoa dali. Precisamos protegê-la, evitando que haja sucesso dentro de ações que vão criar um ambiente super negativo para ela própria. Não deveríamos permitir que essas bolhas tenham êxito, isso é tolerância zero. Não é tolerância zero com a pessoa, não é falta de paciência, não é dureza, não é maldade, não é irmos para o inferno e atacar a pessoa. É tolerância zero com a bolha de realidade que está produzindo aquilo. Notamos aquilo: se temos capacidade de desarticular, desarticulamos; se não temos, registramos — não perdemos a oportunidade de registrar. Considero que esse ponto da tolerância zero está totalmente abandonado no tempo em que estamos vivendo agora. Uma época eu estava estudando a história do conhecimento em várias culturas, e vi algo interessante relativo ao pensamento chinês. Dizia-se que, no tempo em que o Taoísmo regia o Imperador na China, quando ocorria um crime, as pessoas não procuravam o autor do crime (na nossa linguagem isso seria caracterizar, fotografar, punir, etc), mas procuravam o ambiente (a bolha de realidade) que tinha permitido à pessoa fazer aquele tipo de ação. Como a pessoa achou que aquilo era favorável? Esse é o verdadeiro inimigo, vocês entendem? Se eu pegar uma pessoa, culpar, caracterizar e prender, aquilo vai seguir solto, pairando, vai pegar outro, outro, outro e aquilo ainda se expande. É a mesma coisa que colocar na cadeia todas as pessoas com dengue, enquanto a dengue continua fluindo. Estamos pegando a pessoa que foi vitimada e não o agente; o agente está no nível sutil. Vamos olhar como as ações não virtuosas estão pairando, estão totalmente disseminadas no nível sutil, na mídia em geral — reificadas, mostradas em detalhes. As pessoas adquirem esses referenciais, que viram os carmas delas mesmas; isso é um processo infeccioso. Mas se eu não vejo esse processo amplo, eu pego as pessoas que foram alcançadas pelas emoções negativas, eu culpo e condeno. Estamos longe de tolerância zero, estamos facilitando a disseminação da doença.”
— Lama Padma Samten

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