Como me tornei louco

Perguntais-me como me tornei louco.

Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

:: Khalil Gibran ::

De tudo ficaram três coisas

De tudo ficaram três coisas:

A certeza de que estamos sempre começando… 

A certeza de que é preciso continuar… 

A certeza de que podemos ser interrompidos 

antes de terminar… 
Façamos da interrupção um caminho novo… 

Da queda, um passo de dança… 

Do medo, uma escada… 

Do sonho, uma ponte… 

Da procura, um encontro!

:: Fernando Sabino ::

Há uma ratoeira na casa

(uma fábula corporativa)

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.

Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:

– Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!

A galinha disse:

– Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato foi até o porco e disse:

– Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!

– Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranquilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações.

O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse:

– O quê? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!

Então, o rato voltou para casa abatido para encarar a ratoeira.

Naquela noite, ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pegado.

No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pegado a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher… O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. 

Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e os vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.

A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

“Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se de que, quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos.”

(Autor Desconhecido)

“livre é aquele que liberta.”

Carlos Buby

Andar ou Caminhar?

Andar: Locomover-se, seguir, continuar.
Caminhar: Percorrer trajeto a pé.

No dicionário, andar e caminhar aparecem como sinônimas. Mas observe que interessante: Andar é, basicamente, você se deslocar e dar passos em direção a um outro lugar. Caminhar é diferente! Caminhar é você percorrer um trajeto, uma direção, um rumo… Enquanto Andar é, simplesmente, dar passos de forma aleatória, no Caminhar importa o destino. Temos andado ou caminhado?!

Resposta

Resposta

Skank

Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou pra trás
Também o que nos juntou

Ainda lembro
Que eu estava lendo
Só prá saber
O que você achou
Dos versos que eu fiz
E ainda espero
Resposta

Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar
Que ninguém mais pisou

Você está vendo
O que está acontecendo
Nesse caderno
Sei que ainda estão

Os versos seus
Tão meus que peço
Nos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite

Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou pra trás
Também o que nos juntou

Ainda lembro
Que eu estava lendo
Só pra saber
O que você achou

Dos versos seus
Tão meus que peço
Dos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite

Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar
Que ninguém mais pisou

Você está vendo
O que está acontecendo
Nesse caderno
Sei que ainda estão

Os versos seus
Tão meus que peço
Nos versos meus
Tão seus que esperem
Que os aceite

Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

Em paz eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais eu fico onde estou
Prefiro continuar distante

A grande beleza

“Finisce sempre così. Con la morte. Prima, però, c’è stata la vita, nascosta sotto il bla bla bla bla bla. È tutto sedimentato sotto il chiacchiericcio e il rumore. Il silenzio e il sentimento. L’emozione e la paura. Gli sparuti incostanti sprazzi di bellezza. E poi lo squallore disgraziato e l’uomo miserabile. Tutto sepolto dalla coperta dell’imbarazzo dello stare al mondo. Bla. Bla. Bla. Bla. Altrove, c’è l’altrove. Io non mi occupo dell’altrove. Dunque, che questo romanzo abbia inizio. In fondo, è solo un trucco. Sì, è solo un trucco.”
“Sempre termina assim. Com a morte. Mas primeiro, houve a vida, escondida sob o bla bla bla bla bla. Tudo é sedimentado sob a trepidação e o ruído. O silêncio e o sentimento. A emoção e o medo. Os escassos inconstantes flashes de beleza. E então a desolação desgraçada e o homem miserável. Todos enterrados sob a cobertura da vergonha de estar neste mundo. Bla. Bla. Bla. Bla. Em um outro lugar, há um outro lugar. Eu não me envolvo desse outro lugar. Por isso, que este romance tenha início. No fundo é apenas um truque. Sim, é apenas um truque.”
Filme “La Grande Bellezza” de Paolo Sorrentino

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