“Não faças de ti um sonho a realizar. Vai! Sem caminho marcado. Tu és de todos os caminhos.”

Cecilia Meireles

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“Podíamos ficar a viver aqui, eu ofereceria-me para lavar os barcos que vêm à doca, e tu, E eu, Tens com certeza um mester, um ofício, uma profissão, como agora se diz, Tenho, tive, terei se for preciso, mas quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver, Não o sabes, Se não sais de ti, não chega a saber quem és … às vezes dava-lhe a filosofar, dizia que todo homem é uma ilha, tu que achas, Que é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não saimos de nós, Se não saímos de nós próprios, queres tu dizer, Não é a mesma coisa. “

Livro O Conto da Ilha Desconhecida, Saramago

“Quem gera o bem gera uma ninhada que voleia alegre, e quem semeia o mal planta uma árvore cujos espinhos são a inveja e o arrependimento, seu fruto. Que Deus tenha pena de quem omite os erros e se satisfaz com a aparência.”

Livro Tempo de Migrar para o Norte, de Tayeb Salih – pg 149 – Editora Planeta

“Não, é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus.”

Clarice Lispector. Um Sopro de Vida (Pulsações) .

Espera e espreita

Na ESPERA aguardamos por algo conhecido e desejado. Há incerteza, mas em pequeno grau, mas a decepção é grande se nada acontece.
 
Na ESPREITA aguardamos por algo que não sabemos; é o que pode vir a ser. Estamos de prontidão para o desconhecido. A decepção é menor, caso não se concretize; mas o potencial para provocar a maior das surpresas é enorme, pois trata-se de campo aberto ao diferente e inesperado.
 
Um é coletor, o outro é caçador.
Eu gosto é de caça!

A Imperfeição dos Nossos Sentidos

:: Fernando Pessoa , em Ricardo Reis, prosa ::

Se os nossos sentidos fossem perfeitos, não precisávamos de inteligência; nem as ideias abstratas de nada nos serviriam. A imperfeição dos nossos sentidos faz com que não concordemos em absoluto sobre um objeto ou um fato do exterior. Nas ideias abstratas concordamos em absoluto. Dois homens não vêem uma mesa da mesma maneira; mas ambos entendem a palavra «mesa» da mesma maneira. Só querendo visualizar uma coisa é que divergirão; isso, porém, não é a ideia abstrata da mesa.

“A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem a escuta.” Michel de Montaigne, jurista, político e escritor francês