Indian Legend

“There is an Indian legend that tells that a very old Maharajah was about to die and he had to decide to which one of his two sons he would leave his kingdom. He decided then to propose a test. He gave each one a 5 rupee coin at early morning and told them to find something to fill his room. At the end of the day the first boy came back. He was very tired but managed to buy almost 200 kg of cotton and tried to fill his dad’s room spreading cotton all over but he failed. After a few hours everything was dark, it was night time and an exhausted boy entered the palace. He entered the room with a candle. The light filled up the whole place and he inherited his father’s kingdom…. we only need one small and shinning light to overcome darkness.”

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A leveza que procuro

” Pode ser que seja a ocasião. Fim de ano em geral é hora de balanço. Pode ser que seja a idade. Muita gente me diz que, depois de um certo ponto na vida, bate uma profunda necessidade de ser mais leve. Os antroposóficos falam em ciclos de sete anos que vão levando você a trocar a casca e renovar sua personalidade. Os astrólogos explicam que a posição dos planetas justifica o ímpeto. Seja lá o que for, de uns tempos para cá me deu uma vontade louca de me livrar dos cacarecos que a gente carrega sem perceber! E não estou aqui falando apenas do lixo físico acumulado atrás das portas, entupindo gavetas, empilhado em prateleiras. Falo dos apêndices existenciais.

Comecei jogando coisas fora. Doei quase tudo que tinha pendurado no armário e não usava há mais de seis meses. Sapatos e bolsas incluídos na faxina. Depois remexi a papelada. Bilhetes, documentos, fotos antigas, pessoas que não estão mais aqui e que talvez nunca tenham estado comigo de verdade. Não tive vontade de participar da febre consumista natalina. Não quis presentear e isso não tem nada a ver com falta de generosidade. Aí a coisa ficou séria. Olhei o apartamento de soslaio. Será que eu preciso mesmo de tudo isso? Tanto peso acumulado, uma tranqueira danada para administrar. Para quem vive reclamando do tempo, gasto tempo demais com o que não é essencial.

Essencial é um conceito de difícil definição. Varia conforme quem você é. Mas os budistas estão certos quando dizem que o desejo é a fonte de toda a frustração. Não possuir aquilo que se deseja nos traz infelicidade e insegurança. O essencial, portanto, tem a ver com o mínimo. A menor fatia de coisas a carregar e que trarão a você conforto e paz. A leveza que de alguma forma procuro, sei lá por que, é a de uma existência menos pesada e mais condicionada ao prazer – o que quer que seja que dê a cada um de nós prazer.

A dedicação ao prazer dá trabalho. Exige um monte de coisas que não estamos acostumados a entregar facilmente. A primeira, como eu já disse, é tempo. Tempo inclusive para elencar o que significa prazer individual e que não tem nada a ver com aquilo que se vende todos os dias em tantas propagandas em tantas mídias. (Nada contra compras, apenas um ligeiro bode com o excesso. O dispensável teria me poupado não apenas dinheiro. Teria me economizado energia fundamental de vida. Aquilo que ultrapassa o necessário faz você ficar pesado. Como se arrastasse correntes por aí. Estou me livrando das assombrações.)

Estou procurando o prazer. Por trás daquilo que posso decidir ter quero encontrar o que me faz bem ter. Ou não ter. Produzir me dá prazer. A pressa na produção me rouba o mesmo prazer. Viajar me dá muito prazer. Mais pela viagem que pelo destino. O outro me dá prazer. Pela descoberta, pela troca, pelas diferenças. O contraditório me dá prazer. Tudo igual me tira. Gostar de mim me dá prazer. Esperar que o outro também goste me tira. O essencial está aqui comigo. Estou jogando fora o que não é essencialmente meu. O eu das coisas e dos outros. Ficarei bem levinha. Para engolir tudo que de essencial 2014 possa me oferecer. ”

:: por Ana Paula Padrão :: valendo para 2015 =D