Grande Sertão Veredas

:: Guimarães Rosa ::

No esquenta-esfria da vida, além de coragem, é preciso descuido.
Deixar a bagunça de lado.
O respiro sair.
O barco ir.
Aceitar o tombo.
Reconhecer a queda.
Desabar.
Viver é muito perigoso; e não é não.
Nem sei explicar estas coisas.
Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor
Entender o quão terrivelmente pequenos somos e quão horrorosamente grande é essa vida.
Jogar fora todo o peso.
Afrouxar o aperto todo.
Deixar fluir.
A gente quer passar um rio a nado, e passa:
mas vai dar na outra banda
É um ponto muito mais em baixo,
bem diverso do em que primeiro se pensou.

Saber entregar o que vai.
E acolher o que fica.
Rejeitar o buraco.
Fazer da obra prima trapo.
E costurar tudo de novo.
E sonhar tudo de novo.
E sorrir tudo de novo.
Viver tudo de novo.
Descuidar-se.
E achar felicidade.
Qualquer amor já é um pouquinho de saúde,
um descanso na loucura
Tudo de novo.
Coragem!
Viver é etcétera.

Noturno Indiano

“Tudo pode acontecer na vida … Na ocasião, pode parecer um acontecimento não muito feliz; mas na lembrança, como sempre nas lembranças, decantadas das sensações físicas imediatas, dos odores, da cor … , a circunstância assume uma imprecisão que melhora a imagem. A realidade passada é sempre menos má do que foi efetivamente: a memória é uma formidável falsária. Certas contaminações são feitas, mesmo sem querer.”

“Nossa malas surradas estavam novamente empilhadas na calçada; nós tínhamos caminhos mais longos a percorrer. mas não importa, a estrada é vida.”

Do livro On the Road, Jack Kerouac

A gente se acostuma, mas não devida

O texto foi extraído do livro “Eu sei, mas não devia” de :: Marina Colassanti ::

Vontade de fazer coisa errada

“Que vontade de fazer coisa errada. O erro é apaixonante. Vou pecar. Vou confessar uma coisa: às vezes, só por brincadeira, minto. Não sou nada do que vocês pensam. Mas respeito a privacidade: sou pura de pecados.””

:: Clarice Lispector :: , no livro “Um Sopro de Vida”

“Tanto mais amo a humanidade em geral, quanto menos amo as pessoas em particular, como indivíduos.”

:: Dostoiévskie :: , no livro “Irmãos Karamázov”

Promessa ao Amanhecer

“Eu olhava para o mar. Algumas coisas estavam acontecendo comigo. Não sabia o quê: uma paz ilimitada, a impressão de ter chegado. O mar sempre foi para mim, desde então, uma humilde porém satisfatória, metafísica. Não sei falar do mar. Tudo o que sei é que ele me livra repentinamente de todas as obrigações. Cada vez que o observo, torno-me um afogado feliz.”

:: Romain Gary :: , no livro “Promessa ao Amanhecer”

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