“Escutar é empreender o movimento arriscado de se esvaziar de si. … escutar, de fato, é uma escolha profunda.”

“Acho que o maior erro, ou o erro de base, é não escutar. Quando me refiro a escutar, não me refiro a algo simples. Escutar qualquer um escuta. Mas escutar, de fato, é uma escolha profunda. Uma escolha de vida, mesmo. Essa escuta a que me refiro, mesmo surdos, no sentido da não audição, são capazes de fazer… Escutar é empreender o movimento arriscado de se esvaziar de si, de suas visões de mundo, de seus preconceitos, de seus julgamentos, para ir o mais vazio possível em direção ao mundo do outro, ao mundo que é o outro. E depois fazer esse caminho de volta preenchido por uma outra experiência de estar no mundo. Escutar é se desabitar por um momento para ser habitado pelo outro … Antes de encarar as ruas concretas do mundo de fora, onde vivem as pessoas e as histórias, cada uma delas um mundo singular, precisamos fazer esse gesto de atravessar a rua de nós mesmos .Se não começa assim, acho que não alcançamos. Podemos geograficamente atravessar o mundo, viajar até o Sudão do Sul, por exemplo, mas voltaremos de lá contando sobre o que já sabíamos, contando sobre teses prévias, contando sobre nossa ideia prévia sobre aquele país, sobre nós mesmos. Vamos até bem longe sem sair do lugar. Porque não fizemos o movimento essencial da escuta, que exige muito, mas muito mesmo, de nós.

:: Eliane Brum ::

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